Já sei o que é sofrer, agora posso viver sem medo porque descobri que eu não morro..
domingo, 16 de janeiro de 2011
"[...] Eu peguei sua mão, e a puxei para mais perto, observei as mesas ao redor, o restaurante estava cheio e eu simplesmente não conseguia enxergar isso. Para mim, estavam apenas ele e eu. E mais ninguém. Ele olhou ao redor, quando sentiu minha mão a tocá-lo, por algum motivo evitava me encarar. Meu corpo estremeceu. Soltei sua mão rapidamente e não o olhei. Senti seu olhar pesando sobre meu rosto e fechei as mãos, apertando-as com força. Eu teria de me controlar. Ele abriu os lábios, e eu cerrei os dentes. Após um segundo de silêncio ele falou: "Eu já disse que te amo hoje?". Eu quis derrubar a mesa e quebrar todos os copos em sua cabeça, quis gritar, quis esbofeteá-lo naquele instante. Então respirei fundo duas vezes seguidas e respondi: "Quem ama não sente vergonha. Quem ama assume, quem ama não sente medo de erguer a cabeça e olhar fundo nos olhos da pessoa amada, quem ama não rejeita um simples toque com a mão." Ele prendeu a respiração por alguns segundos, ficou imóvel, sem saber como agir e como que responder. Ele não esperava minha explosão, não esperava minhas verdades. [...] Eu não esperei por explicações, ataquei mais uma vez dizendo:"Estou cansada. Estou muito cansada desse jogo de xadrez idiota, em que o seu exército derruba o meu. Em que eu sei que vou perder mais insisto em jogar. Estou cansada desse amor a um, dessas feridas abertas que você não é capaz de fechar, dessa sua insistência em me esconder dos outros por pura tolice de homem. Estou cansada de noites sem sentimentos, estou cansada de você." Ele piscou aturdido e quis se explicar. Levantei-me e completei: "Se você me conhece bem não vai me procurar. E se não me conhecer, pode me procurar, mais saiba, um outro alguém concerteza em noites assim, não vai me faltar." Vire-me, e apressei o passo, fiz sinal para o táxi que passava e entrei sem olhar para trás [...]"
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