Eu tenho a mania de destruir as coisas de que mais gosto, porque simplesmente elas não fizeram aquilo que eu mais esperava num momento em que mais precisava. Porque as coisas são pessoas que nem sempre lembram-se de nós quando estão extasiadas de felicidade, falsamente realizadas, orgulhosas de qualquer conquista. Nessas horas em que a felicidade sobra, elas não precisam da sua palavra de incentivo, de consideração. Se você estiver triste, elas não reconhecerão, porque simplesmente são egoístas. E quando eu estou triste, não imploro para que as pessoas percebam, disfarço e observo, por pura vontade de não ser egoísta a ponto de acabar com a felicidade das pessoas que amo usando minha tristeza persistente. Não me interessa o quanto irá doer se elas não lembrarem de mim num determinado momento feliz. Eu não me importarei, porque as pessoas formaram-se assim, egoístas, completamente defeituosas e esquecidas. Uma hora elas estão com a faca na mão, outra hora, estão sendo esfaqueadas. Posso simplesmente mentir e dizer que não sou egoísta, mais sou. E das piores. Mais sei guardar meu egoísmo em mim, e sei lembrar das pessoas que amo, num momento feliz, triste, ou intermediário. É uma espécie de egoísmo coletivo e sadio, que a maioria das pessoas reprovam
Nunca fui capaz de me acostumar com um pássaro preso na gaiola. Não é o mesmo que estar preso numa cela dentro de um presídio. Um pássaro não é capaz de fazer mal a ninguém, um pássaro é tão inocente quanto todos os outros. Não me conformo e não entendo qual é a graça em prendê-lo. Seria o mesmo que cortar suas asas definitivamente, seria o mesmo que proibi-lo de cantar. Talvez, o propósito de prendê-lo seja simplesmente querer olhar para o céu e vê-lo estranhamente vazio ou talvez, seja só maldade humana. Não é engraçado prendê-lo, não é justo, não é bonito, não é humano. Desde então, ao ver pássaros e mais pássaros presos, me dei conta de que, cortar as asas de um pássaro é o mesmo que matá-lo friamente, a cada segundo. E peço, imploro, aconselho: Não cortem suas asas, deixem-nas crescer, e eu garanto que o céu vai ficar minúsculo para asas tão grandes e para tamanha beleza, que vale mais, muito mais, do que simplesmente admirá-lo preso dentro de uma gaiola.
Prender um pássaro traduz a sua necessidade de ser livre, de se ver ali dentro, tão preso quanto ele
"[...] Eu peguei sua mão, e a puxei para mais perto, observei as mesas ao redor, o restaurante estava cheio e eu simplesmente não conseguia enxergar isso. Para mim, estavam apenas ele e eu. E mais ninguém. Ele olhou ao redor, quando sentiu minha mão a tocá-lo, por algum motivo evitava me encarar. Meu corpo estremeceu. Soltei sua mão rapidamente e não o olhei. Senti seu olhar pesando sobre meu rosto e fechei as mãos, apertando-as com força. Eu teria de me controlar. Ele abriu os lábios, e eu cerrei os dentes. Após um segundo de silêncio ele falou: "Eu já disse que te amo hoje?". Eu quis derrubar a mesa e quebrar todos os copos em sua cabeça, quis gritar, quis esbofeteá-lo naquele instante. Então respirei fundo duas vezes seguidas e respondi: "Quem ama não sente vergonha. Quem ama assume, quem ama não sente medo de erguer a cabeça e olhar fundo nos olhos da pessoa amada, quem ama não rejeita um simples toque com a mão." Ele prendeu a respiração por alguns segundos, ficou imóvel, sem saber como agir e como que responder. Ele não esperava minha explosão, não esperava minhas verdades. [...] Eu não esperei por explicações, ataquei mais uma vez dizendo:"Estou cansada. Estou muito cansada desse jogo de xadrez idiota, em que o seu exército derruba o meu. Em que eu sei que vou perder mais insisto em jogar. Estou cansada desse amor a um, dessas feridas abertas que você não é capaz de fechar, dessa sua insistência em me esconder dos outros por pura tolice de homem. Estou cansada de noites sem sentimentos, estou cansada de você." Ele piscou aturdido e quis se explicar. Levantei-me e completei: "Se você me conhece bem não vai me procurar. E se não me conhecer, pode me procurar, mais saiba, um outro alguém concerteza em noites assim, não vai me faltar." Vire-me, e apressei o passo, fiz sinal para o táxi que passava e entrei sem olhar para trás [...]"
"Não te amo pelo cheiro, pelos toques, pelos sorrisos, pelas batidas, pelo compasso, pelos abraços, pelos beijos, pelas brigas, pelas reconciliações. Não te amo pela saudade, pela amizade, pela cumplicidade, pelas verdades, pelas mentiras, pelo aconchego, pelo presente, pelo futuro. Não te amo pelas lágrimas, pelas covinhas, pelos olhares, pelas noites e dias, pelo sucesso, pelo fracasso, pelas broncas, pelas conversas. Não te amo pelas flores, pelas estrelas, pelos arrepios. Não te amo por nada, eu te amo por tudo [...]
Não me importo de ter meu coração nas mãos de um outro alguém, desde que esse alguém seja você. Não me importo se você vai feri-lo, ou se vai amá-lo, só quero que um pedaço de mim fique com você, para que você possa entender o porque dessas palpitações incontroláveis cada vez que a distância entre nós fica mais curta. Para que você possa olhar dentro dos meus olhos e ver que eu te acolhi, te escondi dentro de mim. Quero que meu coração fique com você, porque ficar comigo não tem sentido algum. Eu quero que você possa ver, entender meus sentimentos. Eu quero te provar que não é somente o meu coração que é completamente apaixonado por você, é a minha alma. Algo dentro de mim me disse, desde o primeiro olhar, que eu pertenço a você. E o que foi dito não pode ser retirado. Meu coração agora e sempre é seu. E eu não aceito devolução."
"Nunca suportei mentiras. Mais sempre tive o prazer de sustentá-las, quando essas me traziam algum benefício. É como colar na prova, tirar uma nota máxima e exibir para os seus pais, fazendo-os acreditar que você realmente teve capacidade e inteligência. É como um cantor famoso, que faz dublagem durante seus shows, que engana os fãs fazendo-os acreditar que a sua voz é perfeita em todos os seus momentos ao vivo. Nunca suportei as mentiras que me diziam, mais sempre soube mentir para sustentar coisas que deveriam ir embora sem a minha intervenção. Eu soube mentir até certos momentos, quando ainda não me machucava, quando as coisas ainda estavam coloridas para mim. Até que eu me dei conta de que mentiras egoístas ferem as pessoas que amamos, mais não nos ferem, porque somos nós os autores das mentiras e não os leitores. Achei que mentir pudesse ter algum significado, pudesse trazer meu príncipe desencantado em sete dias, pudesse me encher de amigos, de mimos, de amor, de família. Achei que mentir para agradar fosse tão bom quanto dizer sim, quando o certo seria não. Não pude aguentar sustentar tantas mentiras, e não pude suportar ouvir mentiras. Quando olhei, já estava a beira do precipício. Tudo é uma mentira. Eu sou a mentira, a maior mentira que já pude ter criado. Ter essa oportunidade de olhar para baixo, te faz reconhecer que mentir trás a felicidade que você criou mentindo e então você se joga do alto, e deixa o precipício intacto, fazendo perceber que nada se move, só você e suas grandes mentiras."
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