Já sei o que é sofrer, agora posso viver sem medo porque descobri que eu não morro..

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Estou precisando de um tempo pra mim, mesmo sabendo que neste tempo meu pensamento só iria querer pensar em você. E pensar que você talvez não pense em mim assim. Cada palavra que você diz me machuca, me dá vontade de chorar, mesmo sabendo que não teve esta intenção. Não sei o porque insisto em pensar em possibilidades que não deveria me importar. Ou deveria?
Eu estou tão mal, me sentindo tão sozinha.Porque tenho que ser assim?

Hoje eu tive uma das experiências mais fortes da minha vida. Não havia nada além de um espelho e palavras que eu dizia pros outros, mas tive que me dizer olhando nos olhos mais tristes que já tive. Minha voz tava embargada, mas meu coração tinha certeza do que dizia. Minha fisionomia mudou, e eu consegui gargalhar novamente por ser exatamente como quem estou me tornando.
Eu estava me fazendo muita falta."

Marla de Queiroz

"Vem, que eu quero te mostrar o papel cheio de rosas nas paredes do meu novo quarto, no último andar, de onde se pode ver pela pequena janela a torre de uma igreja. Quero te conduzir pela mão pelas escadas dos quatro andares com uma vela roxa iluminando o caminho para te mostrar as plumas roubadas no vaso de cerâmica, até abrir a janela para que entre o vento frio e sempre um pouco sujo desta cidade. Vem, para subirmos no telhado e, lá do alto, nosso olhar consiga ultrapassar a torre da igreja para encontrar os horizontes que nunca se vêem, nesta cidade onde estamos presos e livres, soltos e amarrados. Quero controlar nervoso o relógio, mil vezes por minuto, antes de ouvir o ranger dos teus sapatos amarelos sobre a madeira dos degraus e então levantar brusco para abrir a porta, construindo no rosto um ar natural e vagamente ocupado, como se tivesse sido interrompido em meio a qualquer coisa não muito importante, mas que você me sentisse um pouco distante e tivesse pressa em me chamar outra vez para perto, para baixo ou para cima, não sei, e então você ensaiasse um gesto feito um toque para chegar mais perto, apenas para chegar mais perto, um pouco mais perto de mim. Então quero que você venha para deitar comigo no meu quarto novo, para ver minha paisagem além da janela, que agora é outra, quero inaugurar meu novo estar-dentro-de-mim ao teu lado, aqui, sob este teto curvo e quebrado, entre estas paredes cobertas de guirlandas de rosas desbotadas. Vem para que eu possa acender incenso do Nepal, velas da Suécia na beira da janela, fechar charos de haxixe marroquino, abrir armários, mostrar fotografias, contar dos meus muitos ou poucos passados, futuros possíveis ou presentes impossíveis, dos meus muitos ou nenhuns eus. Vem para que eu possa recuperar sorrisos, pintar teu olho escuro com kol, salpicar tua cara com purpurina dourada, rezar, gritar, cantar, fazer qualquer coisa, desde que você venha, para que meu coração não permaneça esse poço frio sem lua refletida. Porque nada mais sou além de chamar você agora, porque tenho medo e estou sozinho, porque não tenho medo e não estou sozinho, porque não, porque sim, vem e me leva outra vez para aquele país distante onde as coisas eram tão reais e um pouco assustadoras dentro da sua ameaça constante, mas onde existe um verde imaginado, encantado, perdido. Vem, então, e me leva de volta para o lado de lá do oceano de onde viemos os dois.


- e todas as promessas que você fez pra mim? acha que eu esqueci? pois é, não. e fiquei completamente inconformada quando você disse que queria terminar. porque do nada todo o 'pra sempre' que você me disse sumiu. e eu me senti usada, jogada no lixo, MAIS UMA VEZ. acha que também não doeu? eu sei exatamente tudo o que você ta passando, mas ao contrário de como você ficou, eu estou mal por isso.a gente só aprende a dar valor quando se perde. e é isso que ta acontecendo com você. e como já te disse, só peço para que você volte a ser a pessoa que conheci, a pessoa pela qual me apaixonei, a pessoa que mostrava alegria aonde passava. porque jamais iria te desejar mal nenhum e quero que você possa ser mais feliz do que já foi um dia. mas do jeito que você está, colocando tantos defeitos em cada parte do seu ser, não vai a lugar nenhum.eu sinto um carinho muito grande por você, e não queria perder a sua amizade. mas se for pra continuar assim, é melhor a gente se afastar então me perdoa amor por tudo o que eu fiz, não sou flor que se cheire mas sei te fazer feliz, nunca quis te proporcionar nenhum tipo de dor, mas entenda que amizade é forma de um amor

Não posso dizer que se eu pudesse escolher alguém, eu te escolheria. Porque eu já te escolhi. Não posso dizer que se eu pudesse eu te amaria para sempre. Porque eu já te amo. E já te amando, eu tenho a certeza que fiz a escolha certa. E por ti eu faria mil vezes de novo. Eu não posso te prometer a vida inteira, mas posso te prometer que até amanhã eu serei o melhor pra ti, se tu precisar chorar, eu vou cuidar de ti. Se tu quiser contar os teus problemas, eu vou te aconselhar. Se quiser falar de amor, eu te darei ainda mais amor para falar sobre. Se quiser recordar, eu vou te ajudar a reviver. Se quiser rir, eu vou te apresentar alguém bem engraçado, já que eu não sou. Se quiser ir embora, eu vou fazer birra, mas no fundo não vou me magoar. Se quiser ficar, eu ficarei contigo. Se precisar de uma amiga, eu serei a melhor. Se precisar de uma mãe, eu vou te dar uma bronca. Se precisar de um pai, eu vou discutir contigo sobre futebol. Se precisar de um irmão, eu vou ouvir pacientemente todas as tuas paixões relampagos. Se precisar de um amigo, eu vou te incentivar a chegar na guria. Se precisar de uma irmã, eu vou mentir pra ti só pra não te deixar com ciúmes. Se precisar de uma esposa, eu vou te perguntar onde tu estava às 3h da manhã, e depois vou fingir que acredito em ti. Se precisar de um amor, eu farei o meu melhor. Se precisar de mim, eu vou estar aqui. E vou refazer todas essas promessas amanhã, e depois de amanhã, e depois de depois de amanhã, pela vida inteira

Existem coisas melhores adiante do que qualquer outra que deixamos para trás."

C. S. Lewis

você prometeu nunca me abandonar, hoje eu não tenho mais tanta certeza que você irá cumprir sua promessa, eu prometi nunca te abandonar, e eu vou cumprir essa promessa, você querendo ou não. Tudo mudou, por que? Não quis mais falar comigo, não quis mais andar do meu lado, me deixou. E eu só tenho a agradecer por tudo que você fez por mim, me ajudou, me aconselhou, me abraçou no momento que eu mais precisava, e acho que aqui acabou. Não, eu não queria assim, eu não quero que seja assim, era pra ser pra sempre, você me prometeu. E agora ta tudo tão diferente. Desculpa se algum dia eu magoei você, se alguma vez eu te fiz ficar triste, eu peço DESCULPAS por não estar sempre com você, por passar pouco tempo ctg, por fazer as coisas que eu faço, por ter ciúmes, por ser chata, desconfiada, insegura, mais poderia me entender, você era tudo que eu tinha, era a pessoa que eu mais confiava nesse mundo, eu ainda confio apesar de tudo. DESCULPA

Me esforço para ser melhor a cada dia.
Pois bondade também se aprende.”

Cora Coralina

No caminho do inferno encontrei tantos anjos. Bandos, revoadas, falanges. Gordos querubins barrocos com as bundinhas de fora; serafins agudos de rosto pálido e asas de cetim; arcanjos severos, a espada em riste para enfrentar o mal. Que no caminho do inferno, encontrei, naturalmente, também demônios. E a hierarquia inteira dos servidores celestes armada contra eles. Armas do bem, armas da luz: no pasarán!
Nem tão celestiais assim, esses anjos. Os da manhã usam uniforme branco, máscaras, toucas, luvas contra infecções, e há também os que carregam vassouras, baldes com desinfetantes. Recolhem as asas e esfregam o chão, trocam lençóis, servem café, enquanto outros medem pressão, temperatura, auscultam peito e ventre. Já os anjos debochados do meio da tarde vestem jeans, couro negro, descoloriram os cabelos, trazem doces, jornais, meias limpas, fitas de Renato Russo celebrando a vitória de Stonewall, notícias da noite (onde todos os anjos são pardos), recados de outros anjos que não puderam vir por rebordosa, preguiça ou desnecessidade amorosa de evidenciar amor.
E quando sozinho, depois, tentando ver os púrpuras do crepúsculo além dos ciprestes do cemitério atrás dos muros - mas o ângulo não favorece, e contemplo então a fúria dos viadutos e de qualquer maneira, feio ou belo, tudo se equivale em vida e movimento - abro as janelas para os anjos eletrônicos da noite. Chegam através de antenas. Fones, pilhas, fios. Parecem-se às vezes com Cláudia Abreu (as duas, minha brava irmã e a atriz de Gilberto Braga), mas podem ter a voz caidaça de Billie Holiday perdida numa FM ou os vincos cada vez mais fundos ao lado da boca amarga de José Mayer. Homens, mulheres, você sabe, anjos nunca tiveram sexo. E alguns trabalham na TV, cantam no rádio. Noite alta, meio farto de asas ruflando, liras, rendas e clarins, despenco no sono plástico dos tubos enfiados em meu peito. E ainda assim eles insistem, chegados desse Outro Lado de Todas as Coisas.
Reconheço um por um. Contra o fundo blue de Derek Jarman, ao som de uma canção de Freddy Mercury, coreografados por Nuriev, identifico os passos bailarinos-nô de Paulo Yutaka. Com Galizia, Alex Vallauri espia rindo atrás da Rainha do Frango Assado e ah como quero abraçar Vicente Pereira, e outro Santo Daime com Strazzer e mais uma viagem ao Rio com Nelson Pujol Yamamoto. Wagner Serra pedala bicicleta ao lado de Curill Collard, enquanto Wilson Barros esbraveja contra Peter Greenaway, apoiado por Nélson Perlongher. Ao som de Lóri Finokiaro, Hervé Guibert continua sua interminável carta para o amigo que não lhe salvou a vida. Reinaldo Arenas passou a mão devagar em seus cabelos claros. Tantos, meu Deus, os que se foram. Acordo com a voz safada de Cazuza repetindo em minha orelha fria: "Quem tem um sonho não dança, meu amor".
Eu desperto, e digo sim. E tudo recomeça.
Às vezes penso que todos eles parecem vindos das margens do rio Narmada, por onde andaram o menino cego cantor, a mulher mais feia da Índia e o monge endinheirado de Gita Mehta. Ás vezes penso que todos são cachorros com crachás nos dentes, patas dianteiras furadas por brasas de cigarro para dançar melhor, feito o conto* que Lygia Fagundes Telles mandou. E penso junto, sem relação aparente com o que vou dizendo: sempre que vejo ou leio Lygia, fico estarrecido de beleza.
Pois repito, aquilo que eu supunha fosse o caminho do inferno está juncado de anjos. Aquilo que suja treva parecia guarda seu fio de luz. Nesse fio estreito, esticado feito corda bamba, nos equilibramos todos. Sombrinha erguida bem alto, pé ante pé, bailarinos destemidos do fim deste milênio pairando sobre o abismo.
Lá embaixo, uma rede de asas ampara nossa queda


As palavras são rostos que doem dentro de mim, lábios que não beijei, vozes que calei quando as deveria ter ouvido, tal como os sentimentos são cortinas manchadas de dor que nunca mais voltei a abrir e murmúrios inconstantes à beira de mil abismos que fito do alto deste pedestal de amor. existem controvérsias no meu passado lamacento, tantos extremos de ódios e amores, carinhos despidos de tabus vinganças frias e desumanas como a flagelação que se olha em cicatrizes que nunca desaparecerão da pele hoje chorei por dentro, com a face imóvel perante a incapacidade de verter o sal que se apodera da minha alma. perdi imensos sorrisos e ganhei vazios abismais de névoa e remorsos, emoções antigas que quando me assolam a mente parecem sonhos distantes que apenas vivi na minha imaginação rebelde de quem procurava ser mais do que o centro das atenções hoje tudo voltou a fazer sentido dentro das paredes do meu quarto, na sensação libertina de ver a noite murmurar silêncios dentro do sono intencional de quem dorme podia acabar com tudo, fechar os olhos e ignorar a voz do meu audaz veneno, ser a presença inata de fluidos que caminham por entre as margens frias onde nasceram. podia guardar-me nas horas, ou simplesmente perder-me no álbum de fotografias mental que trago de cada vivência sofrida e sorridente. No entanto, é esta existência sublime e vernácula que me compreende as correntes de fúria e horror não posso querer fechar as palavras soluçadas deste choro comovente que calo dentro de mim, ou aprisionar a fraqueza e os suspiros de amor de quem parte para lá da luz desse sol poente e do cheiro a maresia porque há sempre sentidos escondidos entre a névoa chorosa dos olhos que derramam lamentos à lua e à dor venerações sublimes aos elementos naturais que formam a nossa imensa fragilidade perante a perfeição de tudo aquilo que somos
e é aí que tu existes nessas horas que amanhecem depois das madrugadas de silêncio dentro de mim, num lugar onde tu dormes fielmente aconchegado ao meu verdadeiro abandono


É, sabe, eu ainda sonho com você, toda noite.. Eu ainda me importo, eu as vezes só queria saber se você está bem, diferente de mim. Sempre que eu me deito, eu lembro de como você dizia que me amava, e como eu achava que seria pra sempre. Não tem jeito, uma lágrima faz questão de cair do meu olho sempre que eu me lembro de você. Eu sinto muito sua falta, não sei como estou vivendo sem você. E aquela música, a nossa música, me faz lembrar de tudo, e ficar mal. Eu olho pela janela, só vendo meu mundo cair, sem você aqui.. Por mais que eu queira, jamais vou esquecer nenhum momento e nenhum carinho seu. Você marcou a minha vida, e agora ela está se despedaçando sem você. Eu queria seu sorriso agora, pra me fazer esquecer de tudo de mal que passo, como você fazia antes.. Mas como, se agora é a falta dele que faz eu ficar assim, mal? Eu queria olhar nos seus olhos, e ficar em silêncio, só observando você, enquanto me faz me apaixonar por você cada vez mais.. Sinto muito falta de tudo.. falta de você..Eu queria dizer: Por favor, volta pra mim! Eu não consigo mais viver sem você. Mas não vai adiantar nada, eu sei.. Mas eu ainda te amo, pra sempre

Alguma coisa aconteceu comigo. Alguma coisa tão estranha que ainda não aprendi o jeito de falar claramente sobre ela. Quando souber finalmente o que foi, essa coisa estranha, saberei também esse jeito. Então serei claro, prometo. Para você, para mim mesmo. Como sempre tentei ser. Mas por enquanto, e por favor, tente entender o que tento dizer.
É com terrível esforço que te escrevo. E isso agora não é mais apenas uma maneira literária de dizer que escrever significa mexer com funduras - como Clarice, feito Pessoa. Em Carson McCullers doía fisicamente, no corpo feito de carne e veias e músculos. Pois é no corpo que escrever me dói agora. Nestas duas mãos que você não vê sobre o teclado, com suas veias inchadas, feridas, cheias de fios e tubos plásticos ligados a agulhas enfiadas nas veias para dentro das quais escorrem líquidos que, dizem, vão me salvar.
Dói muito, mas eu não vou parar. A minha não-desistência é o que de melhor posso oferecer a você e a mim neste momento. Pois isso, saiba, isso que poderá me matar, eu sei, é a única coisa que poderá me salvar. Um dia entenderemos talvez.
Por enquanto, ainda estou um pouco dentro daquela coisa estranha que em aconteceu. É tão impreciso chamá-la assim, a Coisa Estranha. Mas o que teria sido? Uma turvação, uma vertigem. Uma voragem, gosto dessa palavra que gira como um labirinto vivo, arrastando pensamentos e ações nos seus círculos cada vez mais velozes, concêntricos, elípticos. Foi algo assim que aconteceu na minha mente, sem que eu tivesse controle algum sobre o final magnético dos círculos içando o início de outros para que tudo recomeçasse. Todos foram discretos, depois, e eu também não fiz muitas perguntas, igualmente discreto. Devo ter gritado, e falado coisas aparentemente sem sentido, e jogado coisas para todos os lados, talvez batido em pessoas.
Disso que me aconteceu, lembro só de fragmentos tão descontínuos que. Que - não há nada depois desse que dos fragmentos - descontínuos. Mas havia a maca de metal com ganchos que se fechavam feito garras em torno do corpo da pessoa, e meus dois pulsos amarrados com força nesses ganchos metálicos. Eu tinha os pés nus na madrugada fria, eu gritava por meias, pelo amor de Deus, por tudo o que é mais sagrado, eu queria um par de meias para cobrir meus pés. Embora amarrado como um bicho na maca de metal, eu queria proteger meus pés. Houve depois a máquina redonda feita uma nave espacial onde enfiaram meu cérebro para ver tudo que se passava dentro dele. E viram, mas não me disseram nada.
Agora vejo construções brancas e frias além das grades deste lugar onde me encontro. Não sei o que virá depois deste agora que é um momento após a Coisa Estranha, a turvação que desabou sobre mim. Sei que você não compreende o que digo, mas compreenda que eu também não compreendo. Minha única preocupação é conseguir escrever estas palavras - e elas doem, uma por uma - para depois passá-las, disfarçando, para o bolso de um desses que costumam vir no meio da tarde. E que são doces, com suas maçãs, suas revistas. Acho que serão capazes de levar esta carta até depois dos muros que vejo a separar as grades de onde estou daquelas construções brancas, frias.
Tenho medo é desses outros que querem abrir minhas veias.Talvez não sejam maus, talvez eu apenas não tenha compreendido ainda a maneira como eles são, a maneira como tudo é ou tornou-se, inclusive eu mesmo, depois da imensa Turvação. A única coisa que posso fazer é escrever - essa é a certeza que te envio, se conseguir passar esta carta para além dos muros. Escuta bem, vou repetir no teu ouvido, muitas vezes:a única coisa que posso fazer é escrever, a única coisa que posso fazer é escrever

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