Eis o conjunto dos poetas amargurados. Eis o manifesto de uma liberdade reprimida. Eis os portadores de corações incompreendidos, mãos calejadas e joelhos esfolados. Eis os embriagados pela boa música, viciados em nicotina, dependentes da cafeína. Eis os melhores amigos da insônia, amantes da noite, dos becos, da música que cantam os bêbados. Eis os salvadores da pátria, caídos num canto qualquer, chorando pela mulher que foi embora ou pelo homem que não nota os olhos perdidos de uma donzela apaixonada. Eis aqueles que carregam o segredo da beleza, a chave do mistério e a magia das palavras. Eis a pureza maculada, escondida atrás de uma garrafa vazia de um vinho barato. Eis a luz, outrora reluzente, cansada de manter viva a chama que a alimenta. Eis o fim, amigos, eis o fim.
Tu não mereces ouvir, tu não precisas aturar a minha insensatez e o meu medo do mundo. Meu menino, falo de coração aberto, mente confusa e cordas vocais presas, reflexos de um dia cansativo, decepcionante. Bem sabes que não tenho receio de ti. Eu abro a porta que dá em teus segredos e passeio entre eles, só fixando na memória, sem alertas, sem definições. Eu sinto tudo o que se passou por dentro, compreendo a tua essência magnífica de amante, viajante e delirante. Adoro-te, amor. Mas hoje, só hoje, quero chorar em teu peito. Quero colocar para fora todo o veneno que o mundo colocou aqui no organismo. Quero espernear, soluçar. Quero suspirar, respirar, gotejar em teu abraço. Desmanchar-me. Meu amor, estou exausta, me desculpa, me desculpa de verdade, pareço uma menina boba, frágil, sedenta de ti. Queres saber, talvez seja isso mesmo. Ah, menino, deixa-me descansar ao teu lado, traz paz, aconchego, sossego pro meu grito. Amor, não me fala nada, apenas fecha os olhos e não presta atenção às minhas lágrimas. Suspira por mim, não sei combater, não sei erguer defesas. Divide, mais uma vez, esse teu mundo de sonho e encantamento. Eu te preciso de uma forma cruel. Não fala, amor, não quebra o silêncio que perdura. Adoro teu jeito de amar.
Dói ver como as pessoas me esquecem do nada. Como elas simplesmente vão me apagando pouco a pouco até não restar nada de mim nas suas vidas. Praticamente todos que entram em minha vida fazem isso. E eu sempre tenho que correr atrás pras pessoas fingirem que se importam, pedirem desculpas, agirem normalmente como se nada tivesse acontecido e depois fazem de novo. Tudo igual, como se nenhuma palavra deles tivessem sido pronunciadas. Só que sei lá, chega uma hora em que a gente cansa disso. É exaustivo ter que correr atrás sempre, ser magoado, esquecido e feito de lixo, ser tão insignificante ao ponto de ninguém nunca se importar. Chega uma hora em que não dá mais pra aguentar. E eu to nessa hora. Já não aguento mais. Cansei.
E se eu morresse aqui e agora? E se minha pulsação parasse nesse exato momento? E se meu coração parasse de bater e eu caísse dura no chão? Como seria o mundo sem mim? Quem sentiria a minha falta? Quem me faria homenagens? Quem derramaria lágrimas por mim? Quem faria uma festa celebrando a minha morte? Quem sorriria ao pensar que nunca mais precisaria falar comigo? Quem se arrependeria de não ter me dito que me amava uma última vez? Quem ficaria agoniada por não ter falado comigo há dias, e agora, nunca mais poder ter essa chance? Quem se arrependeria de ter me dito coisas horríveis, de ter me magoado, de ter me feito chorar? Quem faria de tudo só pra ter mais alguns minutos ao meu lado? Quem lembraria de mim a cada segundo da sua vida? Quem?
Um brinde ao acaso.Um brinde ao que deu certo, ao que não deu em nada. Um brinde ao caminho incerto, à pessoa errada.
Um brinde à tudo que acontece, um brinde ao que nunca vai acontecer. Tudo que mudou, e a tudo que nunca vai mudar.
Sempre tentamos não magoar as pessoas, mas quer saber uma coisa que eu aprendi? Isso é impossível. Não podemos viver na base de ter medo dos acontecimentos, pois ser uma dor faz sofrer, a outra pode servir de crescimento. Temos apenas que viver, e parar de fazer tantas perguntas, e ter tantas duvidas. Viver não é um livro, e não existe regras pra isso, todos os dias você aprende, levanta, cai e dá a volta por cima. Entendeu?
No final, o amor que você dá é aquele que você quer receber.
Você não sabe o que acontece. Você não sabe, mas esse não é o problema, porque, afinal, quem sabe? O que o desfalece é a certeza da verdade, é pensar que seus dois olhos dão conta de tudo, inclusive do que existe dentro de mim, é considerar que minhas palavras são o reflexo exato e desmedido da minha batalha. Resumos, sínteses, silepses, tudo aqui está escondido. Onde começa, onde termina? Quem sabe… Nem eu, amor, nem eu. Mas vou dizer um pedacinho: faz parte da guerra. Acordamos meio mortos, pulamos meio caídos, a gravidade e o tempo nos atingem de forma abrasadora. É um alívio dormir. No entanto, quando a gente não morre, abre os olhos pro ar denso, pra água amarga, pra janela fechada. Amor, a única coisa doce por aqui é você e, mesmo assim, é de vez em quando. Entendo, você também recebe os efeitos desse mundo, também luta com unhas e dentes para mudar a cor do céu, a cor do chão e a cor do coração. Porque um coração, amor, é vermelho da cor do sangue de quem recebe uma bala no peito. Por essa luta, menino, é que eu te quero aqui. Meio doce, meio morto, meio baleado, mas dentro da batalha. Seja, amor, além de seu, além de meu, esse escudo e essa lança de si mesmo, que destrói o inimigo da magia e constrói nossa tenda de imortalidade.
Algo sempre te entristece quando tudo vai bem.
Gorillaz
Mas você não vê. Não vê, não enxerga, não sente. Não sente porque não me faz sentir, não enxerga porque não quer. A mulher louca que sempre fui por você, e que mesmo tão cheia de defeitos sempre foi sua. Sempre fui só sua. Sempre quis ser só sua. Sempre te quis só meu. E você, cego de orgulho bobo, surdo de estupidez, nunca notou. Nunca notou que mulheres como eu não são fáceis de se ter, são como flores difíceis de cultivar. Flores que você precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem. Homens que gostam das coisas simples. Eu não sou simples, nunca fui. Mas sempre quis ser sua. Caio F. Abreu
Se você está sofrendo por causa de um amor perdido, eu tenho más notícias: não há nada que você possa fazer. E não há ninguém que possa ajudar. Na melhor das hipóteses, você vai ter um amigo paciente pra levá-lo a um bar e ouvir suas queixas e, eventualmente, buscar você em um bar e levá-lo pra casa com segurança, nos dias que você se comportar feito um bobo. Na verdade, até existe alguém capaz de curar sua dor, mas esse alguém não costuma ter pressa: ele se chama tempo.
Portanto, procure levantar sua cabeça, e dar um passo adiante, por menor que seja, porque você ainda tem um longo caminho a percorrer dentro desse inferno. Ter pena de si mesmo não vai ajudar em nada, e por mais que você que não acredite, eu posso te garantir que você sente algum prazer em cultivar esse sofrimento. Sim, estar triste é uma forma de exercer a paixão, quando o alvo dessa paixão já se foi.
Você está usufruindo o seu direito de viver eternamente apaixonado. Isso é ótimo, prova que você é um romântico. Mas, coisas ótimas não costumam ser baratas, e você tem que pagar seu preço.
Em algum momento, tudo isso vai passar. E nesse caso, quando o furacão for embora, ele não deixará destroços, tudo estará em seu devido lugar, como se nada tivesse acontecido. Você vai recuperar suas noites de sono. Vai se sentir revigorado, vai tá feliz consigo mesmo, vai levantar sua auto-estima. Você vai ta pronto pra entregar seu coração à outra pessoa, mesmo correndo o risco de parti-lo em mil pedaços novamente, porque o amor… sempre vale a pena.
A noite chega e traz consigo o frio que faz meu peito aquecer. Me encontro em estado que desconheço, só tento achar uma razão para isso esta acontecendo agora. Mas quem disse que sentimento tem razão? A sensação que essa pergunta me causa é no mínimo estranha. Eu me pergunto como tudo aquilo pôde acontecer, como hoje me encontro em minha casa, apenas com a companhia da solidão e do silêncio que sempre me invadem quando me encontro assim. O sentimento desconhecido já foi um pouco abafado pelos mesmos. Ou talvez eu mesma o tenha abafado. Já nem sei. Tenho um certo rancor do novo. Certas coisas novas me tiraram coisas antigas que amei. Nunca parei para pensar que as coisas antigas um dia foram novas, e que tive o mesmo receio. Isso sempre me doeu. Mas, afinal, em mim, o que não dói? O sentimento sufocado tentava sair pelas bordas das minhas barreiras sem sucesso inicialmente. Mas persistiu. E eu como tola que sou, por um momento de distração, deixei o novo sentimento invadir o peito, a mente, a razão. Receosa, me escondi atrás do silêncio e da solidão. Mas o novo sentimento era forte. Me tirou de todas as máscaras, me viu como era. Me encarou de frente com o sorriso. O sentimento é avassalador, é forte, é verdadeiro. Causa dor, mas causa alegria, causa a causa, causa a fonte. Esse sentimento, é o único sentimento que me salva a cada dia, que me levanta mesmo que me derrube. Esse sentimento, você, você sabe o nome do mesmo, mas talvez não o conheça como eu. Esse sentimento, se chama amor. Amor de pais, amor de irmãos, amor de amigos, amor de amor. Não importa. Era amor. Amor de uma forma que não sabia existir. Uma forma tão pura, tão forte. Tão amor. Tão verdade.
Coloque uma música triste, por favor, porque escrever feliz é muito difícil. Não venha me fazer companhia, porque só dá para reclamar da solidão quando se está só. Deixe-me chorar, deixe-me com essa dor, porque é melhor sentir isso do que não sentir nada. Quando eu estiver rindo, me deixe rir, também. Uma hora ou outra a gente tem que ser feliz, não é? Uma hora a gente ri, uma hora a gente fica bem, outra hora a gente esquece que depois tudo volta. Se eu disser que vou deitar e morrer, entenda; depois levantarei arrependida, agradecerei a Deus pela minha vida e pedirei a ele para preservá-la. Escute, me conheço. Enquanto eu não chego à felicidade eterna, vou aprendendo, ensinando, seguindo, vivendo, por que isso que é viver, certo? E se em algum momento eu quiser desistir, não me leve a sério. Eu nunca desisto, porque no final vale a pena, no final fica tudo bem. O final é bom, é lindo, tô dizendo! Eu sei.
E cada uma daquelas páginas já lidas se encaixavam perfeitamente na vida que ela não estava disposta a ter. Não que isso fosse ruim. Não era. Mas a própria vida já lhe parecia pequena. As pessoas haviam se tornado as tão preciosas e inalcançáveis. O amor por cada uma delas era enorme, mas ela simplesmente não conseguia fazer desse amor algo real, que pudesse realmente envolver alguém. A própria existência havia se tornado tão soberana, que ela não se via digna de viver como alma e espírito misturados a uma carne tão limitada. E em cada uma daquelas páginas havia um pedaço. Um pedaço de uma mulher que esqueceu que um dia foi menina.
Nenhum comentário:
Postar um comentário